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Autismo: do diagnóstico à qualidade de vida

Atualizado: 21 de Ago de 2019



Meu filho tem somente 2 anos e pode ser diagnosticado como Autista?

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Sim, pode. O autismo ou o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) são distúrbios do neurodesenvolvimento e são diagnosticados precocemente na infância. ⠀⠀⠀


Mais precisamente nos 3 primeiros anos de vida, algumas crianças são inclusive diagnosticadas antes dos 2 anos. ⠀⠀⠀


De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), os Transtornos do Espectro do Autismo são caracterizados por deficits clinicamente significativo e persistentes na comunicação social e nas interações sociais, manifestadas de acordo com os critérios seguintes (itens 1, 2 e 3):

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1. Deficit expressivo na comunicação não verbal e verbal usadas para interação social

  • Falta de reciprocidade social;

  • Incapacidade para desenvolver e manter relacionamentos de amizade apropriados para o estágio de desenvolvimento.

2. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos duas das maneiras abaixo:

  • Excessiva adesão/aderência a rotinas e padrões ritualizados de comportamento;

  • Interesses restritos, fixos e intensos.

3. Comportamentos motores ou verbais estereotipados, ou comportamentos sensoriais incomuns


Os sintomas ou comportamentos devem estar presentes no início da infância, mas podem não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite de suas capacidades.

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Caso você tenha um filho, neto ou conhecido com essas características procurem seu psiquiatra, ou seu psiquiatra da infância e adolescência. O quanto mais precoce o diagnóstico, mais cedo irão ocorrer as intervenções adequadas e melhor será o prognóstico.





Grau de Autismo: Leve, Moderado e Grave.

Muitos pais nos perguntam se seu filho tem autismo leve, moderado ou grave e frequentemente não é fácil dar essa resposta.

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Alguns fatores nos ajudam a definir o curso e prognóstico do TEA:


Fatores indicativos de bom prognóstico: ⠀⠀⠀

  • Presença de alguma linguagem funcional ou comunicação ao redor dos 5/6 anos; ⠀⠀

  • Nível intelectual não verbal; ⠀⠀⠀⠀

  • Gravidade da condição (agressividade, impulsividade etc); ⠀⠀⠀⠀

  • Resposta à intervenção educacional.

Lembrando que o autismo/TEA estão associados a comprometimentos permanentes e a maioria das pessoas com TEA permanecem com prejuízos na autonomia e requerem apoio familiar ou da comunidade/ instituições.


Entretanto, a maioria das crianças e adolescentes com autismo/TEA apresentam melhora nos relacionamentos, na comunicação e nas habilidades de autocuidado quando crescem e de acordo com a estimulação.



Diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista


O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista é complexo e deve ser feito por um conjunto de profissionais como médico psiquiatra, neuropediatra, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, etc.


Os sintomas ou comportamentos alvos do tratamento medicamentoso, ou não medicamentoso do TEA, bem como a porcentagem em que tais sintomas aparecem nas pessoas com TEA:

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  • Deficit de atenção e concentração: 60%

  • Hiperatividade: 40%

  • Preocupação não habitual: 43-88%

  • Fenômenos obsessivos: 37%

  • Compulsões/rituais: 16-86%

  • Linguagem estereotipada: 50-89%

  • Maneirismos estereotipados: 70%

  • Fobias/ansiedade: 17 – 74%

  • Humor depressivo, irritabilidade, agitação e afeto inapropriado: 9 – 44%

  • Distúrbios do sono: 11%

  • Automutilação: 24 – 43%

  • Tiques: 8%

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Comorbidades como:

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  • Depressão e outros Transtornos do Humor

  • Psicoses

  • TOC

  • TOD

  • TDAH

  • Insônia etc.


Outros sintomas ou comportamentos também podem ser alvo do tratamento, tanto medicamentoso, quanto não medicamentos, nas pessoas com TEA. Os descritos acima são os principais.



Qualidade de Vida com Autismo


Diversos estudos têm demonstrado o impacto do autismo na economia, no bem-estar social, e na qualidade de vida de autistas e de seus cuidadores que mostram níveis mais elevados de transtornos mentais, cansaço e exaustão, até culpa e raiva.

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Seus pais e cuidadores frequentemente devem deixar seus empregos para cuidar de seus filhos, ou perdem muito tempo em serviços de saúde, ou com gastos relacionados ao cuidado, educação e tratamento especializado multiprofissional de seus filhos autistas.

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Tudo isso gera gastos aumentados em educação especializada, serviços de saúde e em perdas de profissionais no mercado de trabalho por absenteísmo, demissões ou transtornos diversos associados aos autistas e seus cuidadores.

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Precisamos ter um olhar carinhoso e cuidadoso para o cuidador, frequentemente, o sofrimento é muito, é intenso e a sensação de estar sozinho nesta caminhada é constante!


Baixe a cartilha - Autismo: Uma Realidade

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